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Como é o Caminho de Santiago?

Para quem não sabe, no dia 1 de junho eu e o Leonardo partimos para Saint Jean Pied Port para dar início a nossa jornada de 28 dias fazendo o Caminho de Santiago. Este é somente o primeiro post sobre essa nossa viagem, pois temos vários pontos a tratar e não conseguiríamos abordar tudo em um único post.
Por isso o primeiro post é para tentar dar uma visão geral dessa peregrinação e claro, tentar responder a pergunta que eu e o Leonardo mais ouvimos depois que voltamos à “civilização”: – Mas e aí?? Como é o Caminho???
Nossos cajados
Nossos cajados
Sim.. fazer essa caminhada é uma experiência incrível e dificil de descrever. Mas vamos lá né pessoal, você não vê gnomos, bruxas ou seres encantados, você também não passa por um portal mágico que o transforma em outra pessoa, você não flutua até Santiago e deixa de sentir cansaço. Isso nem mito é, está mais para uma fantasia que muitos continuam acreditando e divulgando.
Para quem leu “O Diário de um Mago” e acha que se sente pronto para essa caminhada, esqueça! O livro, assim como qualquer fonte de entretenimento, conta sobre o caminho de uma maneira mais floreada. Então colega, procure mais, pesquise inclusive sobre testemunhos de estrangeiros que fizeram a peregrinação. Se você não tem preparo físico, prepare-se para um grande esforço físico.
Mas enfim, como é o tal Caminho de Santiago? Imagine cruzar 800km de um país que assim como o Brasil, tem diferenças marcantes entre uma região e outra. Além de se deparar com paisagens que te tiram a concentração (todos os dias) você estará passando por uma caminho muito mais antigo que sua própria história. Para quem não sabe, O Caminho já era uma trilha utilizada pelos Celtas há muiiiiito tempo e quem conhece um pouco da simbologia celta, percebe isso ao longo do trajeto.
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Fazer O Caminho de Santiago é mudar a cada dia, é não ter certeza que seu planejamento diário vai dar certo. É ter um contato muito íntimo com a solidariedade e valores esquecidos no nosso dia-a-dia. É você repensar em suas atitudes, até porque chega um ponto que você está tão cansado que só pensa em se distrair para ter força de chagar ao destino. É você sentir vontade de desistir toda noite, mas acordar cedinho e partir. É perceber que as diferenças culturais e de idioma são muito pequenas quando você só quer ajudar ou ser ajudado. É descobrir que a magia dessa trilha não está na paisagem ou em coisas místicas, mas sim nos peregrinos e na história que cada um carrega. É se sentir satisfeito com a simplicidade. É fazer amigos que você pode nunca saber o nome ou ver novamente. É você se retirar por um tempo desse cotidiano conturbado e precisar olhar ao seu redor. É você aprender a ter a caridade de pensar também no bem estar dos outros peregrinos. É fortalecer sua fé.
Para mim fazer esta caminhada foi me emocionar a cada vez que via meu companheiro me segurando nas descidas, na lama, ou quando simplesmente minha pressão despencava e eu não conseguia mais. Para nós dois foi descobrir um significado maior do “ser companheiro”. Um sentido diferente de amor e união. Além de tudo, foi enxergar que aos 25 anos eu já encontrei a minha paz, tenho certeza da minha profissão e possuo um amor pra vida toda.
Tão lindo que parece uma pintura
Tão lindo que parece uma pintura
 E o mais importante é saber que a caminhada não acaba em Santiago, mas segue com você. Porque este o caminho realmente está dentro de cada um. Por isso dizemos que podemos tentar explicar como é O Caminho de Santiago, dar dicas, falar sobre o que não gostamos, mas só fazendo para entender o que realmente significa. Sozinho ou acompanhado, o importante é se abrir a esta experiência.
Bom, mas depois dessa introdução (que certamente não respondeu nada hehe) vamos abordar alguns tópicos sobre o caminho como o que levar, rotas, guias, comida, correios etc. E por isso, como mencionei, vamos fazer isso em posts específicos para poder realmente ajudar com detalhes a quem planeja sua peregrinação, ou semear a vontade de também fazer essa trajetória. Já aviso, que em função de um “probleminha” que tivemos no ultimo dia da nossa viagem, não teremos muitas fotos das primeiras semanas, mas isso a gente conta depois. Porém, vamos tentar contar com detalhes sobre tudo que nos marcou. E os erros? Ahhhh temos muitos para contar, claro!!!
Nossas compostelanas
Nossas compostelanas

Sobre Juciara Nepomuceno

Juciara Nepomuceno
Engenheira de Computação por formação, especialista em Qualidade de Software por profissão e uma eterna exploradora por opção. Desde cedo um tanto nômade, mas há um tempinho em Floripa. Duas grandes paixões: viagens e botas de trilha! Prefiro conhecer lugares inusitados aos velhos pontos turísticos.

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